terça-feira, 13 de janeiro de 2009

SONGHAI


Sobreviventes do Saara:


País: Mali, Burkina Faso, Nigéria e Níger
Língua: songhai
População: 1.460.600 (2001)
Religião: 99% muçulmanos; 1% cristãos e animistas
Bíblia: Novo Testamento traduzido
Não alcançados: 530.000 (77%)


Os songhais são um dos povos mais intrigantes e famosos do temido deserto do Saara. Moram em cabanas de sapê ou de barro, cobertas por palha ou lata. A lata é também utilizada por eles para a confecção de tambores. O clima em que vivem é o mais severo de todo o mundo. O sol, cuja temperatura chega a atingir até 50ºC durante o dia e à noite pode chegar ao negativo, é impiedoso.
Apesar de tudo, esse povo, acostumado com pouquíssimas chuvas e familiarizado com a fome e a enfermidade, valoriza a paciência, o trabalho duro, a coragem, a habilidade de ouvir, a hospitalidade e a honestidade. Para as aldeias que vivem em áreas afastadas do rio, a sobrevivência é ainda mais difícil e cruel, pois sofrem com a falta de água, uma vez que o deserto do Saara só se encontra com o rio nos primeiros metros da costa. Para a população ribeirinha, no entanto, é possível cultivar arroz, abóbora e cebola, pescar com redes, criar pequenos animais, colher mangas no período de boa temporada e, através de pequenas hortas, produzir quiabo, tomate, sementes de gergelim, berinjela e alho. Infelizmente, as secas atingem toda a região, deixando muitas crianças órfãs e outras desnutridas pela escassez de alimentação.
Viver com tantas adversidades talvez seja a maior virtude e desafio desse povo que hoje possui apenas parte das terras herdadas por seus ancestrais. Devido à sua necessidade de sobrevivência, os songhais, antes tão orgulhosos, passaram a simples agricultores e pastores rurais. São os homens das tribos que decidem sobre os assuntos importantes, tais como: período de semeadura, compras de ferramentas e demais equipamentos para a lavoura, o tipo de gado que deve ser criado e comercializado e supervisão da agricultura. Sobre eles repousa também a tarefa de manter a família forte e unida. Nos acompamentos urbanos, o chefe da família pode lucrar com alguns trabalhos fora de casa. Uma vez com o dinheiro adquirido com os serviços externos, ele pode guardá-lo ou gastá-lo, desde que seja para suprir as necessidades de sua extensa família.
No fim da temporada da colheita de milho, muitos homens viajam para o interior de países vizinhos, como Nigéria e Gana. Nesse período, a responsabilidade da casa fica com a mãe, que deve cuidar de toda e qualquer necessidade da família. Os filhos ajudam o pai no trabalho e nos negócios. Auxiliam nas compras no mercado, levam mensagens, fabricam ferramentas e cuidam dos animais.
Devem ficar calados e respeitar suas devidas posições na hierarquia familiar, especialmente quando o pai está em casa. As filhas, ainda bem pequenas, com idade entre seis e sete anos, começam a ajudar as mães a cuidar dos irmãos menores, além de pilar grãos, carregar água, cozinhar e ajuntar madeira. Os filhos são frequentemente submetidos a punições físicas por causa de atos de desobediência. Os velhos, homens e mulheres, são muito respeitados. Suas opiniões e elogios são frequentemente procurados. Após os 60 anos, o pai e a mãe da família se aposentam. Então, as mulheres mais jovens assumem as tarefas da casa e os homens mais jovens, as responsabilidades financeiras dos pais.
Embora sejam muçulmanos, podendo possuir até quatro mulheres, a maioria dos homens prefere apenas uma esposa, por questões econômicas. E quando um deles tem mais de uma esposa, as mulheres são mantidas na casa de sua antiga família. Se um problema familiar se torna assunto de discussão pública, esse fato é considerado vergonhoso. Por isso as questões familiares devem ser resolvidas dentro da família.
O império Songhai teve seu início na cidade de Gao, no Mali, por volta do ano 680 d.C. Os reis de Gao cresceram gradualmente dominando e subjugando todos os povos das regiões circunvizinhas. O povo Sorko, formado por pescadores, consruiu e conduziu barcos e canoas no rio Níger. Já os Gow tinham suas principais atividades ligadas á caça de animais, como crocodilos e hipopótamos. Os Dos cultivavam as terras férteis á beira do rio. A fusão desses povos formou as raízes dos songhais.
Nos séculos XV e XVI, grandes feiticeiros, reis e guerreiros songhais usavam sua magia e destemidas habilidades de batalha para conquistar seus vizinhos e estabelecer um vasto império. Antes de caírem diante dos invasores tuaregues do Marrocos, os songhais, devido à sua organização e ambição de estender os seus domínios, além da fé islâmica que posuíam, tornaram-se o maior império medieval do Oeste da África. No seu ponto máximo, o império Songhai chegou a estender-se desde a região onde hoje se encontra o Oeste do Mali até os reinos Haussa, atual norte da Nigéria. Seu domínio alcançou as duas margens do rio Níger, que corria numa grande curva através de todo o seu território, desde o Oeste até o Leste. As pessoas mais velhas da tribo Songhai conservam ainda lembranças desse passado de glória e vivem na esperança de dias melhores.
Não obstante o islamismo ter introduzido novos elementos à cultura songhai, a estrutura tradicional da religião primitiva desse povo, no entanto, permanece intacta, ou seja, eles ainda a praticam.
Cada comunidade tem um iman (professor do islamismo) que ensina, às sextas-feiras nas mesquitas, o fundamento do Islã para eles. Mas isso não muda a rotina religiosa dos songhais: possessão de espíritos, mágica, culto aos antepassados, bruxarias, entre outras práticas pagás. As cerimônias para invocar os espíritos ocorrem pelo menos uma vez por semana em vários lugares. As mais importantes são a genji bi hori, um festival no qual os songhais se oferecem aos "espíritos negros" (eles crêem que esses espíritos têm poder para controlar pestes e doenças), e o yenaandi, uma espécie de dança da chuva. A maioria deles concorda numa coisa: existem os espíritos bons e os maus.
Os espíritos bons trazem um sentimento de paz na casa e são capazes de protegê-los dos maus espíritos. A maioria dos songhais tem alguma coisa para contar sobre os maus espíritos, pois todos temem a esses espíritos e o que eles podem fazer às suas famílias. A feitiçaria é praticada em muitas vilas. Se uma criança é atacada por demônios, a vila inteira celebra uma cerimônia de possessão para entregar, formalmente, a vítima a tais espíritos. A criança, então, é obrigada a servir a esse demônio (ou demônios) pelo resto da vida.
Palavras e poções mágicas podem ser adquiridas para se obter bons e maus resultados, dependendo da intenção com que são compradas. Suas aldeias, assim como sua história, costumes e tradições, permanecem fechadas durante séculos, opondo-se às mudanças e erguendo barreiras contra o testemunho cristão.
Atualmente, existem pouquíssimos cristãos, pelo que se conhece, entre os songhais, um dos povos com pouco ou quase nenhum acesso ao evangelho em todo o mundo. Apenas uma minoria, 0,2% é cristã. A fome e as doenças têm sido uma companhia constante desse povo. Três em cada cinco crianças morrem antes de completar cinco anos. A Igreja de Cristo tem respondido muito vagarosamente às necessidades dos songhai.
Em fevereiro de 2000, a Missão Batista do Sul dos Estados Unidos entendeu as desesperadas necessidades do povo songhai e enviou uma equipe para trabalhar entre eles. Essa equipe tem atuado de muitas maneiras diferentes. Um grupo de intercessores de cerca de sete mil pessoas tem orado regularmente pelas necessidades desse povo. Várias igrejas dos Estados Unidos têm enviado equipes para caminhadas de oração em suas terras.
Recentemente, uma junta médica viajou até eles e supriu algumas sérias necessidades físicas da população em diversas vilas. Houve distribuição de grãos, e equipes de pesquisa de recursos de água foram enviadas para estudar as necessidades de tal riqueza entre os songhais. Na ocasião, o povo recebeu algumas recomendações básicas de como conseguir suprir essa necessidade. Um especialista em agricultura está atualmente no campo, estudando as práticas de cultivo da tribo e orientando o povo sobre como produzir mais alimentos para amenizar a fome.
O filme "Jesus" está sendo exibido em várias vilas. O trabalho de implantação de igrejas vem sendo desenvolvido em três localidades diferentes. Aqui no Brasil, a Igreja Batista do Caminho, em Santa Bárbara do Oeste (SP), está respondendo ao apelo e adotou esse povo. Planeja, ainda, enviar missionários e/ou apoiar projetos já existentes.
Fonte: Revista Povos.


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